Bradesco lucra R$ 7,11 bilhões no 3º trimestre, com alta da inadimplência
O lucro recorrente cresceu 0,8% sobre o trimestre anterior e 14,6% em um ano, enquanto os atrasos acima de 90 dias subiram para 4,6% da carteira.
O Bradesco abriu a temporada de balanços dos grandes bancos listados na B3 com lucro líquido recorrente de R$ 7,11 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O resultado representa alta de 0,8% em relação ao segundo trimestre e de 14,6% na comparação com o mesmo período de 2025, em linha com o consenso de R$ 7,12 bilhões compilado pela Bloomberg. Bloomberg Línea
O ritmo de crescimento perdeu força: no primeiro e no segundo trimestres, as altas haviam sido de 4,5% e 3,5%. Segundo o banco, o desempenho reflete um cenário de juros altos e de desaceleração da economia. As receitas de tesouraria e de tarifas, somadas ao controle de despesas, compensaram o menor ganho com crédito. Bloomberg Línea
Inadimplência e provisões
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% da carteira, ante 4,3% no segundo trimestre e 4,1% um ano antes. A piora foi maior entre micro, pequenas e médias empresas, cujo índice passou de 3,7% para 4,9% em 12 meses. Segundo o banco, cerca de metade da alta no trimestre veio de linhas de capital de giro com garantia de fundos federais. Bloomberg Línea
A provisão para devedores duvidosos somou R$ 10,6 bilhões, alta de 6,6% sobre o trimestre anterior e de 24,3% em um ano. O índice de cobertura recuou de 168,9% para 142,6% em 12 meses. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu de 16,2% para 15,6%, em parte pelo aumento de capital de R$ 10 bilhões concluído no período; sem esse efeito, seria de 16,1%, segundo o banco. Bloomberg Línea

Do lado positivo, a margem com mercado, ligada à tesouraria, somou R$ 875 milhões, ante R$ 99 milhões um ano antes. As receitas de serviços cresceram 4,2% no trimestre, as despesas operacionais caíram 1,0% em 12 meses e as receitas com cartões atingiram o recorde de R$ 4,8 bilhões. Bloomberg Línea
O que disse a diretoria
Em teleconferência com analistas, o presidente do banco, Marcelo Noronha, afirmou que o mercado de crédito está mais restrito, com juros elevados e economia em desaceleração, e disse esperar que o custo do crédito e os atrasos continuem pressionados por algum tempo. Ele também defendeu a manutenção das linhas para pequenas empresas garantidas pelos fundos FGI e FGO. Bloomberg Línea
A temporada de resultados dos bancos continua com o Santander Brasil, em 28 de outubro, o Itaú Unibanco, no início de novembro, e o Banco do Brasil, em 11 de novembro. Bloomberg Línea
Fontes
- Bloomberg Línea — Lucro do Bradesco perde fôlego no 3º tri com alta da inadimplência e das provisões
- Bloomberg Línea — Crédito com garantia pública deveria seguir em qualquer governo, diz CEO do Bradesco
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